Terça-feira, Março 31, 2009

O Radinho e o Mestre


“Você pegou seu radinho?” - perguntou, preocupado, Celestino a Mizael, que respondeu um “sim”, já com os fones encaixados nos orifícios dos seus ouvidos sonhadores. Não era bem um radinho, era um mp4, essas novas tecnologias que gravam, tocam, cantam e dançam. Mas não deixava de ser um rádio dos nossos tempos. E lá iam os dois caminhando embaixo do sol, Celestino de chapéu de palha, Mizael com camisa amarrada na cabeça, ouvindo suas músicas, alheio às palavras do outro. Quando ia falar, gritava, achando que o amigo ouvia o mesmo barulho que ele. “Você está gritando!” - advertia o do chapéu, um tanto irritado com a ausência do de fone de ouvido. Celestino, uma geração antes de Mizael, ia devagar, observando plantas, procurando cacarecos para guardar ou transformar em alguma obra de arte sem muita pressa. Mizael também ia devagar, degustando a música que saia do aparelhinho que não fizera parte da juventude do primeiro. E foram andando.
Em outro lugar da cidade, em outro dia, outro momento, acontecia uma roda de capoeira em homenagem ao aniversário do doido mestre. Em dado momento, apareceu ele cansado, com a sua filha pequenininha no colo, que dormitava abraçada com um embrulho vermelho amarrado com laço de fita, guardando bem guardado o presente do pai. Ele vestia sua calça surrada de linho com um furo bem perto do joelho, tinha olheiras, mas não parecia triste. Estava quieto, apenas quieto, apreciando o espetáculo em sua homenagem.
O salão estava lotado. Lá na frente, a bateria: berimbaus, atabaque, pandeiros, reco-reco, agogô. Um côro vigoroso, respondendo aos versos do cantador. “Angola êêê, Angola ê, Angola!”. No centro, duplas iam materializando a capoeira: quem sabia jogar, jogava, quem sabia gingar, gingava, e quem não sabia nada disso, dançava a dança da celebração. Chegou a hora dos parabéns. Já viu, caro leitor, parabéns cantado por berimbau? Um espetáculo, infinitos minutos da música ritual. Ao final, salva calorosa de palmas que duraram muito mais tempo do que aquelas palmas mecânicas que só acontecem porque alguma apresentação chegou ao final. Eram palmas de louvação ao mestre que foi capaz de unir toda aquela gente a cantar e a jogar na roda da capoeira e ensinar-lhes a estender tudo aquilo à roda da vida. Discursos, muitos discursos. Mas ele continuava amuado, vai lá saber o porquê.
Hora do bolo. Gigantesco, todo branco, delicioso. Os capoeiras se atropelaram um pouco para degustá-lo, mas logo se acalmaram ao perceberem que havia o bastante para todos. Vai lá saber por que as pessoas se afobam diante da comida nas festas. Parece que se o convidado não comer um pouquinho que seja da comida, ele não esteve por completo nelas. Enquanto o bolo ia desaparecendo pelos estômagos afora, a pequenininha dormia, respirando fundo, cansada de tanta festa. O mestre quis ir embora, as menininhas precisavam de suas camas e ele também. E lá foi ele, com olhar pensativo, descendo as escadas e carregando a maiorzinha, enquanto sua esposa carregava a bebezinha. A festa continuou por mais algumas horas, e os convivas celebravam não mais o aniversário de uma pessoa, mas tudo o que ele construíra. O mestre agregara pessoas, ensinara-lhes a olhar nos olhos para jogar capoeira, a cantar em côro, a ter malícia diante do mundo. Estava tudo pronto, ele já podia ir embora porque sabia que seu edifício permaneceria erguido por muito tempo. Em seu discurso de agradecimento, com o mesmo semblante que parecia uma mistura de seriedade, emoção e melancolia, declarou: “enquanto eu tiver o movimento de um dedo que seja, eu não vou parar”. Mestre é assim, constrói coisas que não param, edificações que se alienam do criador e adquirem vida própria.
No outro dia, vestindo a camisa que estava no embrulho guardado pela pequenininha, parecia mais animado. Ganhou um saco de jambos, distribui-os pela vizinhança, alegre e conversador. Houve notícias de que foi com as crianças, a esposa e um capoeira até o parquinho e, em seguida, foram comer pizza. Sim, o mestre tem vida própria, normal, sofrida, tem que administrar os parcos recursos que consegue com sua arte para alimentar as crianças, pagar escola, ajeitar a fiação do antigo casarão no centro de São Luís. Mas é autêntico, tem brilho nos olhos e continua lá cheio de idéias, cantando ladainhas, repassando sonhos aos seus alunos e às suas pequenininhas.
Enquanto o mestre sonha e vai vivendo com seus olhos brilhantes e melancólicos, Celestino e Mizael continuam andando em trilhas barrentas. A essas alturas, depois de contada a história do mestre, eles já voltaram para a oficina de Celestino, estão cansados estirados em redes coloridas, fumando cigarros santos, maquinando alguma traquinagem. Não se sabe onde se encontram as vidas do mestre e a de Celestino. Mizael, por hora, é apenas coadjuvante, o enfeite colorido da história que continuou e está acontecendo agora, e talvez um dia seja melhor contada
.

PÔR DO SOL LÁ PERTO DO MURO DO EXISTIR


O som dos violões ardia em dedilhados sonhadores. Não ouviu nenhuma palestra ou teoria intencionalmente estruturada, mas sabia que o que acontecia tratava-se de acreditar em sonhos e utopias. Querer um mundo mais bonito, com música, arte, letras, gente. Nesse mundo, pode haver um tantinho de concreto, outro tanto de floresta, outro de mar, um pouco de rio, um bocadinho de tudo. Olhares felizes, um lugar para existir que não seja tão pesado.
Na noite anterior, havia ela conversado com o rapaz de brinco no queixo sobre o existir: eles, duas pessoas num lindo cenário - à beira-mar, perto de um bar tocando seresta, maré cheia do mês de agosto, luzes dos navios lá adiante, estrelas e brisa - falando sobre o peso do existir. Dissera o interlocutor que, quando pensava no existir, formava-se em sua imaginação um muro de concreto, pesado, com uma grande interrogação desenhada. Ficou ela se perguntando como ele conseguira colocar um muro de concreto na frente de cenário tão bonito. A bela paisagem escondia o trabalho duro dos estivadores lá longe, no navio; a dor do boêmio que ouvia seresta ao lado de seu copo e longe da mulher amada; a tristeza do pescador em dia de pouco peixe; talvez até o desespero do índio Uirá que, um dia, no passado, ali por perto achara que o mar o levaria à divindade Maíra; escondia, ainda, o pretérito violento dos capoeiras que lutavam com navalhas. Um cenário bonito onde aconteceram coisas tristes. Talvez o muro imaginado esteja além da subjetividade do rapaz, seja algum tipo de memória coletiva.
Mas sobre o caso aqui contado, havia três, quatro, oito, alguns instrumentistas. Um – o preferido por ela por um critério pessoal e egoísta – tinha barba na cara, castanho nos olhos, brilho na alma, flauta em punho; o outro, - o mesmo da conversa da noite anterior - artista, cabelo “black-power”, voz hipnótica, violão entre os braços; mais um, cabelos brancos, sotaque gringo, idéias equatorianas, ensinando o toque do charando, instrumento novo aos olhos dos presentes; o terceiro, feliz em suas raras palavras, constantes sorrisos, toques ritmados no instrumento de percussão; tinha até ela, desafinando todas as notas, cantando fora do compasso, mas imaginando dias melhores. E as cantoras? Ah, as mulheres cantantes risonhas! Havia os anfitriões, casal-dupla, parecendo contentes por estarem ali, juntos, entre si e entre os convivas, lindos, lindos.
Em cima das notas e batidas e vozes havia o céu, todo preto, pontilhado por estrelas e a lua pela metade, minguando. Até estrela cadente ela viu, enquanto tentava decifrar o que aquele olhar lhe dizia. A música ia acontecendo e a vontade de realizar qualquer querer ou sonho crescia em progressão geométrica. Ninguém repetiu-lhe chavões ou quis obrigar-lhe a seguir qualquer linha ideológica. As pessoas juntas, brincando com notas, eram o motor de um troço grande dentro do peito, inexplicável em palavras limitadas. Ela não é muito otimista com as coisas do mundo mas aquela voz repetindo de quando em quando “tudo é possível” fazia-lhe mesmo querer uma pequena parte de tudo, até mesmo um pedacinho do impossível. “Deve mesmo haver coisas a fazer. Coisas que nem precisam ser impossíveis!”- pensava ela, com olhar distante, tentando decifrar a dança da possibilidade.
Enquanto as coisas aconteciam, ia ela bebericando cachaça, tonteando-se com a beleza daquelas vontades. Até que estava feliz, mas o que sentia mesmo era uma melancoliazinha gostosa, afagando a alma. Lembrava do espetáculo da natureza de algumas horas atrás. Sozinha, titubeando para convidar quem queria, havia saído de casa com a intenção de ver o sol cair no mar. Dirigiu, confusa, a procurar o melhor foco. Acordara chateada com a partida de uma boa companhia na noite anterior e tinha a sensação de que o arrebol lhe salvaria. E salvou. Quem lhe indicara o lugar fora o mesmo abandonador, a quem agradeceu em silêncio, com o sol lá caindo de testemunha, por ter ensinado tão belo caminho para o crepúsculo. Passou a chateação, deu-se conta de que a vida é mesmo mágica e não é preciso sentir-se pequena por causa de uma atitude alheia incompreensível. Feliz por tê-lo conhecido, ficou se perguntando o porquê de estar sem nenhuma companhia para dividir a emoção do espetáculo do grande astro. Imaginou que ele poderia estar solitário vendo a apresentação em outro lugar e a sua amada, lá do outro lado do mundo, também só, vendo o mesmo astro, só que em outra posição, talvez nascendo. Essas coisas acontecem. Ama-se de longe, desejam-se presenças distantes. Nessas horas, tempo e espaço são grandezas independentes: pode-se estar no mesmo tempo, nem sempre no mesmo espaço. E isso não parece fazer muita diferença para as coisas do coração.
Mas, além desses sentires carnais, quando, vira e mexe, há algum empecilho para viver bons agoras, as vozes daquela noite provocaram-lhe a sensação de um monte de ar rodando dentro do peito e da cabeça, fazendo-a amar por alguns momentos os bichos humanos, acreditar nessa raça de gente perigosa. Tudo bem que não tinha ninguém lá no pôr-do-sol: só ela e o Deus do seu tempo, o mesmo que estimula o sentimento da culpa pela culpa. Estava lindo mesmo assim! Depois de tanto rodar, procurar um bom lugar para vê-lo, conseguiu a melhor posição por ter lembrado de uma voz bonita. Tinha muita areia, muita água, muito azul, muito céu. Ali, sua busca acabara por alguns instantes e nada mais precisava acontecer. A vontade de buscar voltou logo, mas seu ser parecia estar mais preparado para abrigá-la.
De volta à cena dos tocadores e cantadores, emerge ela da lembrança do espetáculo e das sensações de horas anteriores, pensando que os homens são, mesmo, construtores da história de sua espécie, de seus amores, de seus dramas. E o que recompensa lutas difíceis são essas coisinhas cotidianas que nutrem a alma, como uma música de duas notas, o sol que se põe todo dia, a voz apaixonante dos artistas, o sorriso castanho daquele homem de barba tocando flauta. O cenário das pessoas felizes foi, aos poucos se desfazendo. Era hora de as pessoas voltarem às suas casas, às suas vidas com dias bem parecidos. Sonhar e desejar com a cabeça cheia de álcool é tarefa fácil, mas acordar cedo, cumprir o projeto traçado para a vida não é não. Mas há os que conseguem alguma coisa, é preciso seguir os raros exemplos.
Ela, personagem palhaça dessa história, ficou até o fim, foi embora no dia seguinte, andou um bocado sob o sol para chegar ao ponto de ônibus. No ponto, notou dois sorveteiros conversando sobre os assaltos no centro da cidade aos domingos – de um, comprou sorvete de coco - e uma mulher contando sobre uma audiência na qual uma juíza chamou-lhe atenção por bater no filho: “Doutora, eu vou continuar educando meu filho dessa forma porque depois, se ele virar bandido, quem vai bater nele é a polícia”. A senhora a quem se dirigia concordava. Um senhor, de óculos escuros, mãos no bolso, desinteressado, parecia apenas ouvir; outros presentes aparentavam escutar a conversa sem grande atenção, apenas distraindo-se enquanto o demorado transporte não chegava. O sol estava quente, havia uma dúzia de pessoas bem perto umas das outras, compartilhando a pouca sombra. Havia um senhor sujo, com sacolas, brigando com o vento, falando palavrões; sua ira era um ruído lá longe, que não mais incomodava os esperadores de ônibus. Ali, no ponto, a realidade a ela se apresentava nua e crua: educação por meio de violência, homem sofrido, sujo, maldizendo o nada. Seria bom que o filho daquela senhora não mais apanhasse, que o sorveteiro não tivesse mais seu suado dinheiro roubado em pleno domingo, que o ônibus não demorasse tanto a passar. Seria mesmo bom que o mundo fosse diferente, que os momentos doces fossem mais constantes.
O ônibus que ela esperava chegou. Foi-se embora, amarrando balões de ar no pesado muro do existir, tentando entender como vidas tão curtas como as dos seres humanos são tão desperdiçadas em regras tolas, em idéias tronchas aprendidas não se sabe onde que fazem desandar o bolo da vida. Onde aquela mulher aparentemente agradável havia aprendido a pensar que seu método educativo é benéfico ao menino? Quem inventou a polícia, a violência legítima do Estado? Por que a personagem dessa história atormenta-se tanto com suas paixões condenadas, enquanto o mundo gira todo torto? Apesar do aborrecimento, continuou a pensar que os homens até que são marionetes dos costumes, de idéias dadas, mas são também sofridos pedreiros de suas histórias. Ela não descobriu fórmula para o seu drama e nem para o da humanidade. Naquele domingo quente, pegou o ônibus errado, andou um bocado até chegar em casa. Suada, com sono, chateada com seu drama de folhetim, com a mulher que bateu no filho, com a polícia, com o Estado. Mas segue existindo. E continua soprando os balões.

Nicolimba


“Ela está pitando também” - notou o singular senhor. Devia ter uns setenta anos, protegia-se do sol claro de São Luís com boné branco, cobria-se com camisa de botão e calça jeans. “Eu gosto mais é do meu fumo, esse tem muita nicolimba”. “Qual é o fumo do senhor?” - perguntou a inveterada fumante. “Ah o meu é do forte, eu compro lá no meu território, fumo no cachimbo, trago tudo”. “Vixe, deve dar até tontura!”. “Ah, não entomba não, é bom demais!”. Pôs a mão no bolso de trás de calça, que voltou mostrando o pacote do fumo motivo de tanto orgulho. Estava acompanhado de um mulher, também fumante de nicolimba, vestindo blusa de uniforme, pitó no cabelo, calça jeans, que deixou passar o ônibus que esperava para acabar de degustar seu cigarro. O ponto de ônibus da praça Odorico Mendes estava lotado de pessoas em direção aos seus territórios. Acabou o cigarro da outra mulher, que disse “até logo” e partiu. Acabou-se o causo. Mais um acontecimento da vida.

Quarta-feira, Julho 19, 2006

Migalhas

Agora de manhã
Um ruído me assola
Um barulho que vem
Não sei de onde
Batucando em meus tímpanos:
Não quero mais suas migalhas
Seu coração de lama
Seu beijo desumano
Não quero...

Brancas Pautas

Brancas Pautas

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Ser Nada


Você já esteve feliz por não fazer nada? É assim que me sinto no momento. Feliz por não ser nada, por não fazer nada, por flutuar no mundo como um grãozinho de poeira desavisado, como uma pulga saltitante em pêlos sarnentos. Meu grito assemelha-se a um latido de cão de rua clamando por um osso roído. As ruínas do meu ser apresentam-se com a majestade de algum santuário histórico. Ser nada me permite a confortante piedade de mim mesma. Assim, tenho o direito de ser triste, de entregar-me à futilidade de sentimentos mundanos e descabidos. Meu sofrimento burguês isenta-me de preocupar-me com problemas universais, reservados aos gênios e aos fortes. Tudo isso posto, sou fraca, sou nada. Sou uma corda de violão arrebentada que não é capaz de emitir a beleza dos bemóis. Mas continuo humana, ainda há esperança...

Sexta-feira, Junho 09, 2006

Para começar...


Olá, mundo virtual! Alguém, por acaso é capaz de me ler? Estou aqui sei lá por qual motivo, apenas querendo conectar-me ao mundo. Não sei ao certo qual é a minha, se vou postar fotinhos ou apenas palavras sem sentido. Brancas Pautas? Ah, é porque as pautas estão sempre vazias, minhas letras parecem não ser capazes de preenchê-las. Talvez, aqui, eu consiga escrever um pouco melhor, ao menos tornar-me uma escritora mediana. Pois então, começaremos por um escrito que fala exatamente sobre isso. Chama-se: "À Tôa".
À TÔA
Um dia como outro qualquer, diante da tediosa mesa, dentro da branca sala semi-vazia. Mote de pensamentos vãos, num ir e vir de idéias desimportantes. Preocupações com o futuro, a sensação de que a vida está pasmaceiramente reta. O espírito com preguiça de procurar emoções, apenas esperando o tempo passar, como se o próximo minuto trouxesse alguma boa nova. Tic-tac, tic, tac...nada. Apenas os mesmos pensamentos indo e voltando. O mundo continua a rodar, alheio como a moça em coma do filme do Almodovar. Eu continuo aqui, juntando letras, formando os textos medíocres de minha vida. Às vezes – ou sempre – maquino o motivo do mocinho bonito não ter mais ligado. Em outras, planejo os próximos doze meses de minha vida. Canseira. Cigarro. Nem ele tem a mesma graça de antes. Quero fumá-lo logo, como se o cumprimento desse ritual fosse a causa de algum bom ocorrer. Agonio-me. Abro o livro do Guimarães Rosa e comprovo minha ignorância. Tento imitá-lo. Tudo que consigo é um plágio vergonhoso. Ignorância e mediocridade não se resolvem assim tão facilmente e, dependendo da gravidade do caso, não há cura. Mas insisto. Continuo a escrever, entre um pensamento à tôa e outro. Lembro da peça de teatro de ontem e invejo a capacidade que alguns homens têm em causar choro ou riso em outros. Queria ser artista! Percorrer o mundo fazendo palhaçadas, lendo poemas, pintando quadros, escrevendo romances iguais ao do Rosa. Volto a pensar no mocinho bonito. Que vento será que o fez se desinteressar por mim? Estou com saudades dele, dos bons sentimentos que ele me faz ter, parecidos com aqueles que senti ao assistir à peça de teatro do diretor maranhense. Lá vem a vida! Que terá ela a me dizer? Apenas: “consuma-me!”. Não sei como, já que o que me rodeia parece reprovar cada movimento meu. Sinto-me patética, irrelevante a qualquer grupo, próximo ou distante de mim. Sinto saudades de comer a feijoada de minha mãe. O que estará ela fazendo agora? Cozinhando feijoada? Queria ligar para o moço bonito, mas não estou com vontade de levar um fora em plena quarta-feira após o almoço. Preciso digerir a comida do restaurante barato. O texto parece sem começo, sem fim, sem nexo. Não consigo encontrar desfecho ou um enredo que chame a atenção do leitor. Na verdade, quero contentar-me com coisas simples como a degustação de um bom chocolate... quero beijar o mocinho bonito que me esqueceu... quero desconstruir o mundo e fabricá-lo de novo.